Gorilas da Montanha: por que sua visita agora é fundamental

Bwindi gorila
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Os gorilas compartilham 98,3% de seu código genético com os humanos, o que os torna nossos parentes mais próximos, depois dos chimpanzés e bonobos. Uma das subespécies, os gorilas da montanha, vivem na África equatorial, na região dos grandes lagos, onde o desenvolvimento, a ocupação humana e a crise da pandemia ameaçam a existência dos primatas. Conhecer o ecossistema dos gorilas neste momento, disseminando a informação correta e contribuindo com a preservação da espécie, pode fazer toda a diferença no futuro.

As espécies e subespécies de gorilas

Existem duas espécies de gorilas, cada uma com duas subespécies:

  1. Gorila ocidental (Gorilla gorilla)

    1.1. Gorila das planícies ocidentais (Gorilla gorilla gorilla): o menor mas com o maior número de indivíduos, o mais pesquisado e o que é geralmente encontrada em parques e zoológicos. Nativo de Camarões, Angola, República Centro-Africana, Gabão, Congo e Guiné Equatorial.

    1.2. Gorila do rio Cross (Gorilla gorilla diehli): raramente visto e com uma população muito pequena. Vive entre a Nigéria e Camarões, na bacia do rio Cross, na região mais ao norte e oeste de todas as subespécies.

  2. Gorila oriental (Gorilla beringei)

    2.1. Gorila grauer ou das planícies orientais (Gorilla beringei graueri): é o maior de todos os primatas e apresenta elevado grau de dimorfismo sexual. Encontrado na República Democrática do Congo, no Parque Nacional Maiko, Parque Nacional Kahuzi-Biega, Reserva Tayna Gorilla e Montanhas Itombwe.

    2.2. Gorila da montanha (Gorilla beringei beringei): sua pele é mais grossa e seu pelo escuro mais longo e denso do que o do gorila das planícies orientais, para protegê-los das baixas temperaturas de seu habitat montanhoso. Menor em tamanho, muito ameaçado de extinção e o que permite a melhor observação na natureza.

Os gorilas vivem em grupos familiares de cinco a dez indivíduos, mas podem às vezes ser apenas uma dupla ou até mesmo mais de 50, liderados por um macho adulto dominante – o dorso prateado (silverback) – que mantém a sua posição por anos. O vínculo entre o dorso prateado e suas fêmeas constitui a base da vida social do gorila.

As fêmeas tornam-se sexualmente maduras por volta dos sete ou oito anos de idade, mas não começam a procriar até alguns anos depois. Os machos amadurecem ainda mais tarde. Quando a fêmea começa a procriar, ela terá apenas um filhote a cada quatro ou seis anos e no máximo três ou quatro durante toda a sua vida. Essa baixa taxa de reprodução torna difícil para os gorilas se recuperarem do declínio populacional.

Os dois ecossistemas dos gorilas da montanha

Os gorilas da montanha são encontrados em apenas dois ecossistemas: as montanhas Virunga, localizadas no encontro do Congo, Ruanda e Uganda, e a floresta de Bwindi, no sudoeste de Uganda, 50 km ao norte de Mgahinga, considerando a menor distância entre os parques. Cientistas debatem se as duas populações, atualmente na ordem de 500 indivíduos cada, são geneticamente idênticas ou se compõem duas subespécies dos gorilas da montanha.

As montanhas Virunga são uma cordilheira de oito vulcões principais, todos escaláveis, na confluência do Congo, Ruanda e Uganda. A região é protegida por 3 parques nacionais: Parc National des Virunga (Congo), Parc National des Volcans (Ruanda) e Mgahinga Gorilla National Park (Uganda).

A administração dos parques é independente e tanto Ruanda como Uganda garantem um sólido refúgio aos primatas, mesmo considerando que ao longo das últimas décadas o tamanho do ecossistema foi reduzido devido à agricultura e pecuária. A caça indiscriminada, mineração e doenças reduziram as populações a níveis críticos, mas a atividade turística sustentável nos parques permitiu estancar o desmatamento e proteger os animais, estabilizando e aumentando as populações na última década.

Infelizmente, a situação no lado congolês da fronteira é bem mais complexa. Disputas econômicas, grupos guerrilheiros armados e caçadores ameaçam não apenas os gorilas mas também os rangers do Virunga, um dos parques mais importantes e diversos do continente. A população local também sofre com ataques esporádicos.

Em região estável e pacífica, o Bwindi Impenetrable National Park protege o outro ecossistema dos gorilas da montanha. Nove diferentes grupos familiares de gorilas podem ser visitados na região, com todos os cuidados e protocolos de segurança para evitar contaminar os gorilas com doenças humanas.

Qual o melhor parque para observar os gorilas da montanha ?

Considerando que os quatro parques são singulares e possuem chances de sucesso semelhantes, ou seja, a probabilidade de encontrar os gorilas é igual (e próxima a 100%), a resposta estará relacionada a dois fatores principais: o custo e o grau de aventura que cada um pretende impor à sua experiência.

A ordem Virunga – Bwindi – Mgahinga – Volcanoes, em termos gerais, demonstra uma sequência crescente de custos (inclusive no valor dos permits) e de facilidade de acesso, infraestrutura, sofisticação, conforto e segurança. E decrescente em termos de distância percorrida na montanha, rusticidade e aventura.

A questão da segurança no Congo é um impedimento sasonal ao Virunga, portanto monitorar a situação vigente antes e no momento da viagem é mais uma vantagem adicional de viajar com uma operadora especializada. Para quem não abre mão de uma aventura mais intensa, é uma opção a ser fortemente considerada.

Uganda é uma opção segura, excelente para quem possui tempo e deseja combinar os gorilas com as diversas atrações naturais do país: vulcões, safáris, chimpanzés e muito mais. Bwindi ou Mgahinga são escolhidos de acordo com a adequação ao restante do roteiro e disponibilidade dos permits.

Ruanda se posicionou como a opção mais cara e sofisticada, atraindo o perfil que deseja conforto e o mínimo de esforço possível. Também é a opção de quem possui pouco tempo e prefere uma experiência mais concentrada – lembrando que Ruanda é menor em termos de extensão, mas não na qualidade de suas atrações.

Por que a sua visita ajuda a preservar os gorilas da montanha ?

Sem as iniciativas de turismo sustentável onde se localizam os ecossistemas dos gorilas, provavelmente os parques nacionais não existiriam mais e tampouco os gorilas. Uganda e Ruanda possuem uma política ambientalista séria, com parques bem administrados e resultados expressivos tanto em turismo como em conservacionismo.

O Congo é uma nação instável e isso se reflete através das múltiplas dificuldades e desafios encontrados no Virunga. A administração do parque, bem como os rangers, são verdadeiros heróis. Para entender melhor o contexto do famoso parque nacional congolês, recomendamos assistir ao documentário Virunga (disponível na Netflix, trailer abaixo).

A lógica da preservação é simples: cada turista paga uma taxa considerável por um gorilla permit, a licença que dá direito ao passeio ecológico e guiado a um grupo ou família de gorilas na montanha. A receita gerada é aplicada ao gerenciamento dos parques e pesquisas relacionadas aos gorilas.

Para se manter sustentável, a receita com o turismo nos parques deve ser maior do que se a terra fosse utilizada para outros fins, como agricultura ou pecuária. Também deve gerar emprego à população da região, densamente povoada, e consciência sobre a preservação da natureza.

Os guias especializados cuidam para que nenhum turista gripado ou doente suba a montanha e todos sigam as regras de conduta e segurança. A permanência na montanha dura em média 6 horas, e embora a caminhada não seja difícil ou pesada, uma condição física básica é necessária. A quantidade de licenças diárias é estritamente controlada, para não perturbar ou colocar os gorilas em risco.

A conta tem fechado de forma satisfatória nos últimos anos nos parques de Uganda e Ruanda, mas os parques ficaram fechados por quase 6 meses e o turismo internacional praticamente hibernou, trazendo muitas dificuldades financeiras e vulnerabilidades aos parques e à proteção dos gorilas. A pandemia de coronavírus não atingiu com intensidade a população local, mas a ausência de turistas impõe uma crise econômica sem precedentes.

No Congo, mesmo antes da pandemia, o número de visitantes não é suficiente e Virunga necessita de doadores (como Leonardo di Caprio) para sobreviver. Durante a pandemia, com o parque fechado e sem financiamento para o devido patrulhamento e segurança, foi alvo de grupos armados e enfrenta uma das maiores ameaças para seu futuro e a continuidade de sua existência. Ainda não há previsão para a reabertura.

Visitar os parques é sinônimo de preservação da espécie, mas no contexto atual de crise pós-pandemia, significa garantir a sobrevivência tanto dos gorilas quanto das comunidades locais. Participar de outras atividades na região, como as imperdíveis escaladas nos vulcões, traz mais emprego e receitas que fortalecem os parques e a preservação. Doações aos parques, especialmente ao Virunga, são vitais neste momento de dificuldades, bem como propagar os ideais conservacionistas que evitam a extinção dos gorilas da montanha.

Os parques de Uganda e Ruanda estão abertos, são destinos 100% seguros e dependem da sua visita para continuar preservando os gorilas da montanha e outras espécies importantes para a biodiversidade.

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Agradecemos ao Tourism Uganda.

Adriano Lucchesi é administrador de empresas (FGV), MBA em economia do turismo (FEA-USP), fundador da Atlantic Connection Travel (1996) e da ACT Afrika Tours & Safaris (2009), operadoras de viagem especializadas em África e Ilhas do Índico, com sedes em São Paulo, Cape Town e Odessa.

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