A Grande Migração do Serengeti: o essencial

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A decisão de fazer um safári no leste da África demanda um investimento considerável, não apenas em termos financeiros, mas também de tempo. A quantidade de informação quando o assunto é a Grande Migração do Serengeti é enorme, mas a qualidade é sofrível e nivelada por baixo – especialmente no Brasil. Ninguém tem a obrigação de ser um expert em safári para realizar uma viagem de qualidade, mas entender sobre o assunto permite tomar decisões melhores, economiza tempo, dinheiro…e transforma uma viagem normal em uma experiência inesquecível.

O que é o fenômeno da Grande Migração do Serengeti ?

Os protagonistas da Grande Migração do Serengeti, os cerca de 1,5 milhão de gnus (também conhecidos por wildebeests), começam a sua jornada cíclica no sul do Serengeti, com o nascimento de meio milhão de filhotes entre janeiro e março, ano após ano. Milhares deles nascem com apenas duas semanas de diferença (8.000 por dia em fevereiro), e muitos nem começam a migração. É um período de muita ação e renovação da vida selvagem. Nestes meses, predadores como leões e hienas estão à espreita dos recém-nascidos, mas a caça continua ao longo do ano. Nada menos que 250.000 gnus e 30.000 zebras perderão a vida, durante o ciclo completo da migração.

Quando a seca chega em maio, os gnus seguem para o norte, na direção do Masai Mara. Os herbívoros gnus, bem como as gazelas e as zebras, necessitam de grama alta e verde, que começa a escassear com a seca no sul. Mas a migração não é isenta de riscos: cruzar rios significa enfrentar cerca de 3.000 crocodilos. Aqueles que conseguem chegar na margem oposta enfrentam os leões do Serengeti, a maior população da espécie na África.

No final de outubro, com o início das chuvas brandas, a migração retorna ao Serengeti. Em dezembro, os animais passam pela região de Seronera – o coração do Serengeti, onde localiza-se o centro de visitantes oficial do parque – para retornar aos locais de parto, novamente no sul. Um ano se passou, e o ciclo finalmente está completo.

Onde exatamente ocorre a Grande Migração ?

O ecossistema do Serengeti-Mara é bem mais amplo que os atuais limites do Parque Nacional do Serengeti. No lado da Tanzânia, reservas privadas de caça, áreas de gerenciamento da vida selvagem (de menor extensão, mas anexas ao parque nacional), toda a área de conservação de Ngorongoro (que inclui a cratera, mas vai muito além dos seus limites) e a área controlada de Loliondo, são parte integrante do ecossistema mais antigo do planeta Terra.

No lado do Quênia, a reserva de Masai Mara e as propriedades da região conhecida como Mara Triangle completam o ecossistema atual do Serengeti-Mara, que já foi muito maior em extensão no passado. Embora a fronteira entre os dois países não restrinja o movimento dos animais (não há cercas ou barreiras naturais), os turistas não podem atravessar de um país ao outro, visitando os dois parques simultaneamente. A fronteira mais próxima é Isebania, mas tanto a travessia terrestre como a aérea são logisticamente ruins, forçando a opção por um dos lados.

No passado, a Grande Migração ocorria em toda a extensão do ecossistema, seguindo o caminho onde houvesse maior disponibilidade de água e alimento. Atualmente, devido às restrições territoriais para o deslocamento dos animais, a Grande Migração é concentrada nos domínios do Parque Nacional do Serengeti e na Reserva de Masai Mara, embora toda a região de Ngorongoro e também Loliondo, em menor escala, sejam importantes corredores de passagem.

Qual a melhor época do ano para testemunhar a Grande Migração ?

O Parque Nacional do Serengeti oferece oportunidades extraordinárias de observação da vida selvagem ao longo do ano todo. Se o foco é a Grande Migração, o desafio é calibrar a época da viagem com a posição da migração naquele momento. O período de janeiro a março é a melhor época para avistar os animais no sul do Serengeti, enquanto o corredor ocidental e o norte do Serengeti são as melhores apostas para os meses de junho a outubro. Em Masai Mara, a Grande Migração se faz presente entre julho e novembro, mas de forma menos dinâmica que no Serengeti.

O acaso é um dos fatores determinantes para testemunhar a icônica travessia do rio Mara, quando quase dois milhões de animais cruzam o rio, arriscando suas vidas entre leões e crocodilos. Mesmo assumindo que nem sempre as tendências e movimentos da natureza se repetem exatamente da mesma forma, escolher a região correta, no período correto, garante que os movimentos migratórios serão avistados com alta probabilidade de sucesso.

Prós e contras das sazonalidades

A maioria dos viajantes internacionais escolhe a estação seca (final de junho a outubro) para um safári no Serengeti. Os animais se reúnem ao redor de rios e poços para matar a sede. A Grande Migração está no auge e as chances de testemunhar a travessia de um rio são maiores. Durante a estação chuvosa, com preços mais baixos e menos turistas, as chuvas transformam a paisagem seca em um oásis verdejante. O ciclo de nascimentos recomeça. Lembrando que são tendências, aqui estão alguns prós e contras das diversas sazonalidades.

Junho a outubro – estação seca

Prós:

  • O arbusto espesso fica mais fino e facilita a observação da vida selvagem.
  • Os animais se reúnem ao redor de rios e poços.
  • Dias claros e muito sol, com temperaturas à tarde em torno de 25°C.
  • Menos mosquitos, menor chance de malária.
  • Junho e julho: o coração da migração está no Corredor Ocidental.
  • Agosto a outubro: o coração da migração está no norte do Serengeti.

Contras:

  • O parque fica muito cheio de turistas na região de Seronera.
  • Relativamente frio à noite e no início da manhã, com temperaturas mínimas em torno de 14°C.
  • Frentes frias ocasionais e atípicas são possíveis, com temperaturas mínimas próximas de zero.

Novembro a maio – estação chuvosa

Prós:

  • Final de janeiro a fevereiro é o período dos nascimentos no sul do Serengeti, excelente momento para ver a ação de predadores.
  • Paisagem exuberante e verde.
  • Menos turistas e tarifas mais baixas, principalmente em abril e maio.
  • Melhor período para observação de pássaros.
  • De novembro a fevereiro, as chuvas são, em sua maioria, tempestades de curta duração e no período da tarde. Raramente interferem nas atividades.

Contras:

  • Março a maio é o pico da estação chuvosa e chove quase todo dia, embora raramente durante o dia todo.
  • O tempo fica nublado tanto durante o dia como à noite.
  • Nos meses de março e abril não é possível ver a migração.
  • Janeiro a março são meses disputados na região de Seronera.

Qual a melhor logística e as melhores regiões ?

Um espetáculo único como a Grande Migração atrai muitos espectadores, de todas as partes do mundo. Nas épocas mais concorridas, nos locais onde a ação acontece, não é incomum o parque ficar bem lotado de turistas. Por isso, vale a pena dividir a estadia em duas regiões diferentes do Serengeti: um situado no coração da migração e outro localizado em uma área mais tranquila e remota, também repleta de vida selvagem, pois a maioria dos predadores e muitas outras espécies são fortemente territoriais e não se afastam de seu núcleo principal.

Os nossos roteiros na Tanzânia que incluem apenas duas noites no Serengeti, com deslocamentos terrestres, normalmente utilizam lodges na região de Seronera, evitando deslocamentos mais longos devido à restrição de tempo. Com quatro noites no Serengeti, é possível alongar a estadia para o corredor ocidental ou para o norte, combinando o safári tradicional com a Grande Migração. Nos roteiros com deslocamentos aéreos é possível direcionar para as regiões específicas em menos tempo, porém com um custo mais alto. Os pontos de estadia e pernoite do seu roteiro devem ser definidos muitos meses antes da viagem, uma vez que a demanda internacional é enorme.

É importante ressaltar que a natureza é imprevisível e está longe de ser uma ciência exata. Fenômenos climáticos como secas ou enchentes podem alterar as variáveis sem aviso prévio. Por isso, estar afinado com as tendências da Grande Migração, com as suas reais prioridades na viagem e principalmente, contar com um verdadeiro especialista em África para programar a sua viagem, são os pontos determinantes para o sucesso da sua experiência.

Faz sentido focar apenas na Grande Migração ?

Aqui vai a minha opinião pessoal, baseada em 25 anos de experiência no Serengeti. É inegável que a Grande Migração é um dos grandes espetáculos da natureza, mas está inserida dentro de um contexto muito mais amplo. Muitos clientes nos procuram com o objetivo de testemunhar a Grande Migração como um fenômeno isolado. Sem compreender que o espetáculo vai muito além, perde-se uma parte considerável da experiência e do aprendizado.

De uma forma bem simplificada: a Grande Migração está inserida em um contexto mais amplo, o Serengeti (o ecossistema, não apenas o parque nacional). O Serengeti faz parte de um sistema mais amplo na região norte da Tanzânia, conhecido como Circuito Norte e delimitado pelo Great Rift Valley, que engloba outros parques como Ngorongoro, Lake Manyara e Tarangire. Roteiros de qualidade incluem pelo menos 3 destes parques.

Na minha visão, não faz sentido se deslocar até a Tanzânia para conhecer apenas uma fração da experiência. O safári na Tanzânia pressupõe conhecer parques e regiões diferentes, que se complementam. Seguindo o mesmo raciocínio, terminar um safári em Arusha e não aproveitar para conhecer Zanzibar, um destino remoto para quem está no Brasil, mas logo ao lado para quem fez o safári na região, é no mínimo um erro de cálculo. Mesmo com praias espetaculares, Zanzibar é muito mais que uma simples estadia em resort. Infelizmente, muitos voltam com esta percepção, devido a uma péssima orientação antes da viagem ou à escolha aleatória da localização na ilha, através dos sites de hotelaria.

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Adriano Lucchesi é administrador de empresas (FGV), MBA em economia do turismo (FEA-USP), fundador da Atlantic Connection Travel (1996) e da ACT Afrika Tours & Safaris (2009), operadoras de viagem especializadas em África e Ilhas do Índico, com sedes em São Paulo, Cape Town e Odessa.

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