Agulhas – Alexandria, parte 1: África do Sul

South Africa N7
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Dia 0, km 0, Cape Town, África do Sul (17/05/2015)

Partir de Cape Town, não importa para onde, é sempre uma missão e uma tempestade emocional. Não estou ansioso nem animado com a viagem e os desafios que tenho pela frente. O stress dos preparativos me levou a um estado de insensibilidade. Na verdade, uma mistura de atenção e concentração que me favorece. Mas a despedida de Cape Town, com o inverno se aproximando, sempre é melancólica, e desta vez não é diferente.

Sinto-me grato por um verão muito especial e por ter a oportunidade de fazer esta viagem singular. Mas já estou ansioso para voltar ao meu habitat natural. Apesar da tarde fria em Clifton, fui dar um mergulho gelado no Atlântico, pedir proteção e um pouco de sorte para, quem sabe, chegar um dia ao Mediterrâneo.

Cape Town, nos vemos em breve. Agora estou dirigindo para o norte.

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Comecei a organizar a bagagem na Freelander uma semana antes da partida. A maior dificuldade na véspera foi deixar o meu apartamento limpo e organizado. Estava partindo em maio e só iria retornar a Cape Town em novembro.

A véspera do dia da partida começou com uma breve passagem na UCT (University of Cape Town), onde me despedi de colaboradores do projeto, devolvi alguns livros de história e concedi uma entrevista à rádio da universidade.

Logo em seguida, fui correndo até o topo da Lions Head, última atividade física antes da partida e a minha tradicional superstição antes de deixar Cape Town. Acredito que fazendo isso antes da partida, a volta está garantida.

Passei a tarde arrumando os últimos detalhes na Freelander e no meu apartamento. Ao entardecer, já estava tudo pronto para a partida no dia seguinte, bem cedo. Fui premiado com um pôr do Sol de gala em Sea Point, o último antes da partida.

A partida foi logo após o nascer do Sol. Curiosamente, o primeiro dia da viagem seria a maior kilometragem em um mesmo dia de toda a travessia, 840 km aproveitando as condições favoráveis da N7, a estrada que leva até a fronteira com a Namíbia. O CA 619-477, ano 2003, alcunha “The Hero”, começou a jornada com 168.322 km de experiência…

Springbok caravan park

Jamais esquecerei a sensação ao trancar meu apartamento, abrir o portão da garagem, atravessar Sea Point rumo ao Waterfront, pegar a N1 até o Canal Walk e finalmente a N7. Um caminho trivial, que faço com frequência. Mas desta vez, algo inacreditável: estava indo para Alexandria, não para o shopping center.

Há uma infinidade de atrações na Cape Namibia Route. Mas eu queria chegar com a luz do dia na região do Fish River Canyon, segundo maior canyon do mundo, já na Namíbia. A paisagem vai ficando cada vez mais surreal e rochosa conforme se aproxima de Springbok, e finalmente aparecem as famosas quiver trees.

A tranquila e organizada fronteira em Vioolsdrif / Noordoewer, espremida entre o rio e as montanhas, já dá a impressão de estar em um outro planeta. O belíssimo Orange River marca o final da África do Sul e o início da Namíbia. Mais duas horas em uma paisagem de perder o fôlego e eu chegava ao destino do dia, /Ai-/Ais Hot Springs, sem nenhuma dificuldade.

Agradecemos nesta etapa a South African Airways e Tracks4Africa.

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Gostou? Este post faz parte do projeto Agulhas – Alexandria, a travessia completa da África do Sul ao Egito, planejada e executada pela Atlantic Connection Travel. Conheça a história completa:
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Adriano Lucchesi é administrador de empresas (FGV), MBA em economia do turismo (FEA-USP), fundador da Atlantic Connection Travel (1996) e da ACT Afrika Tours & Safaris (2009), operadoras de viagem especializadas em África e Ilhas do Índico, com sedes em São Paulo, Cape Town e Odessa.

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